domingo, novembro 23, 2008

Avaliação sobre o curso " Alfabetização e Linguagem"

A opção por participar do curso de Alfabetização e Linguagem foi em busca de novas estratégias para desenvolver o trabalho de Avaliação/Atendimento a alunos com Necessidades Educacionais Especiais, além daqueles que aparentemente não apresentam problemas cognitivos, mas que por motivos diversos, não desenvolvem a aprendizagem.
O conteúdo do curso nos trouxe riquezas diversas para o desenvolvimento da minha prática enquanto professora, (pedagoga), da Equipe de Atendimento/Apoio à Aprendizagem.
Em todos os encontros tive a oportunidade de vivenciar novas ou diferentes práticas, que utilizei com os alunos de forma lúdica e prazerosa, levando-os a sentir mais gosto pela leitura e escrita sem tanta censura com os “erros”de ortografia. Passei a perceber as produções textuais dos alunos, com outro olhar, bem como a riqueza que há em nossa língua materna.
Aos tutores Lenita e Mauricio meu grande abraço e agradecimento por serem profissionais compromissados e realmente capacitados.
Não há duvida que as línguas se aumentam e alteram com o tempo e as necessidades dos usos e costumes. Querer que a nossa língua pare no século de quinhentos é um erro igual ao de afirmar que a sua transplantação para a America não lhe inseriu riquezas novas. A este respeito a influência do povo é decisiva. Há portanto certos modos de dizer, locuções novas, que de força entram no domínio do estilo e ganham direito de cidade”.( Machado de Assis).
Fonte: Livro – Língua Portuguesa – Teoria e Prática. (Claudio Rodrigues da Silva).

terça-feira, setembro 30, 2008

"O manejo da palavra na leitura e na escrita"

O encontro foi marcado pela presença das escritoras Lucília Garcês e Margarida Patriota sob a mediação do escritor João bosco, que de forma estimuladora fez suas colocações sobre as questões da leitura e escrita.
para homenagear as autoras, uma professora declamou o poema, Palavras Bricantes, de sua autoria.
Em sua fala, Margarida Patriota coloca sobre o momento em que se dá o contato com a palavra , da importância que tem o contador de histórias na vida da criança, pois o interesse dela pela leitura acontece quando houve ou manuseia os primeiros livros.
As duas autoras fizeram uma breve explanação sobre suas vidas enquanto alunas, o diferencial foram os caminhos que ambas fizeram para chegarem a ser as escritoras de hoje, onde o ponto comun foi o estímulo que tiveram à leitura e escrita.
Para a escritora margarida, o grande desafio em sua profissão, é colocar no papel as idéias que as chama de nebulosas e para a escritora Lucília o grande desafio é fazer com que seus livros sejam mais atrativos.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Filme "Desmundo"


Por volta do ano de 1570, período em que se falava o português arcaico, chegam ao país algumas órfãs, enviadas pela rainha de Portugal, com o objetivo de desposarem os primeiros colonizadores. Uma delas, Oribela (Simone Spoladore), é uma jovem sensível e religiosa que, após ofender de forma bem grosseira Afonso Soares D'Aragão (Cacá Rosset) se vê obrigada em casar com Francisco de Albuquerque (Osmar Prado), que a leva para seu engenho de açúcar. Oribela pede a Francisco que lhe dê algum tempo, para ela se acostumar com ele e cumprir com suas "obrigações", mas paciência é algo que seu marido não tem e ele praticamente a violenta.

Algumas considerações acerca da Lei 11.340, de 07.08.2006, "Lei Maria da Penha” No dia 7 de agosto de 2006, foi sancionada a lei n.º Lei 11.340, que "cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8º do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal; e dá outras providências".A sanção dessa lei representa, assim, um avanço na proteção da mulher vítima de violência familiar e doméstica, incluindo-se, também, uma inovação legal quanto às formas familiares já positivadas.

O filme retrata o sofrimento a as injustiças que eram impostas às mulheres daquela época onde as mulaeres eram vista como objeto de uso e ainda deixa claro que o capitalismo imperava o que está presente nos dias de hoje. O poder estava nas mãos de quem tinha posses e a igreja católica tinha uma grande força na sociedade.

segunda-feira, setembro 15, 2008

27ª Feira do Livro

Este é um evento promovido anualmente pela Câmara do Livro do Distrito Federal. O tema da feira para este ano será Palavras mudam o mundo. Serão 10 dias em que atrações como estandes de livros, mini-conferências, bate papo com escritores e programação para crianças - contato com contadores de estórias, por exemplo – estarão à disposição dos moradores do DF no shopping Pátio Brasil.
A Feira do Livro de Brasília é hoje um dos maiores eventos do gênero na América Latina. Em sua primeira edição, em 30 de outubro de 1982, a Feira já dava sinais de que se tornaria uma referência entre livreiros, bibliotecários, editores e os leitores de diferentes partes do Brasil. Em 2007, mais de 600 mil pessoas passaam pela Feira do Livro de Brasília, participando de atividades culturais, oficinas, palestras, workshops e apresentações teatrais e musicais.A edição de 2008 da Feira do Livro homenageia o escritor e poeta amazonense Thiago de Mello, 82 anos. De acordo com o presidente da Câmara do Livro do DF, Valter Silva, o autor foi escolhido porque seu trabalho tem relação com o tema adotado para a 27ª edição do evento. "O nosso homenageado tem trabalhado em função de mudar o planeta junto à preservação do meio ambiente. Mudar o mundo com palavras só depende da gente. Então sustentabilidade, amor, esperança, são palavras que, se a gente colocar em prática, conseguiremos mudar o planeta".( Matéria do Correio Brasiliense do dia 28/08/08)

quarta-feira, setembro 10, 2008

Gêneros e Tipos Textuais

Segundo Maria Lucia Fabrício de Andrade (UNESP) Comunicar-se eficientemente parece, a princípio, algo fácil e simples a qualquer indivíduo, dada a agilidade e a habilidade que todos têm de usar a linguagem.
No entanto durante esse processo realizado automaticamente, ou seja, sem uma real consciência do que subjaz à competência lingüística, não se questiona a seqüência de passos a percorrer para que se consiga realizar o complexo ato de comunicação por meio da língua.
Nesse sentido a comunicação seria extremamente difícil se, como diz Bakhtin (1997, p. 302), os indivíduos não dominassem os gêneros de discurso se tivessem de criá-los no processo de fala. As dificuldades da criação de um gênero a cada construção de enunciado de modo totalmente livre seriam sentidas na perda da agilidade do processo. Daí ser necessário admitir, com Bakhtin, que a língua se realiza por meio de enunciados (orais ou escritos).
Os gêneros são entidades comunicativas e se classificam de acordo com a situação na e para a qual são produzidos. Já os tipos são entidades formais, ou lingüísticas. Ou seja: os tipos são definidos e classificados por seus traços lingüísticos predominantes.
Gêneros textuais: realizações sociocomunicativas (ligado a finalidade);
Tipos textuais: realizações linguísticas (estruturais formais e organização interna do verbo narrativo, descritivo).

Textos Humorísticos

Trabalhar com textos humorísticos em sala de aula pode ter várias utilidades: 1) atrair o interesse dos alunos para a aula, já que serão utilizados materiais que muito provavelmente eles gostarão de ler; 2) refletir sobre os juízos de valor, os preconceitos, enfim, os problemas da sociedade, que, muitas vezes, servem de base para a construção desses textos; 3) chamar a atenção para os aspectos lingüísticos que ajudam a provocar o efeito de humor. Com relação a isto, em “Aprendendo a escrever (re) escrevendo”, Possenti destaca alguns dos mecanismos explorados por esse tipo de material (brincadeiras com a ortografia, com as variedades lingüísticas, entre outros) e recomenda o uso desses materiais em sala de aula com o objetivo de explicitar os recursos lingüísticos que eles utilizam, de esclarecer em que situações eles ocorrem e até mesmo para mostrar alguns problemas do nosso sistema de escrita e tentar entender porque eles acontecem. Com base nisto, observemos, então, a seguinte piada.

No guichê da Rodoviária de São Paulo, o português presta atenção na forma como o brasileiro que está na sua frente pede uma passagem ao vendedor:
- Aparecida, ida.
Finalmente, chega a vez de o português pedir a sua passagem. Resoluto, certo de que aprendeu como deve proceder, ele se dirige ao vendedor:
- Ubatuba, uba.

Nessa piada, explora-se o preconceito de que os portugueses seriam ignorantes. Assim, sem saber como se compra uma passagem rodoviária, ele precisaria prestar a atenção em alguém para aprender como se faz isto. No entanto, quando o brasileiro pede uma passagem de ida para a cidade de Aparecida (“Aparecida, ida”), o que o português entende é que é preciso repetir as três últimas letras da cidade de destino e, por isso, diz “Ubatuba, uba”. Com efeito, são freqüentes as piadas que exploram algum tipo de
preconceito:

Na escola, a professora manda um aluno dizer um verbo qualquer e ele responde: Bicicreta. A professora, então, corrige: - Não é “bicicreta”, é “bicicleta”. E “bicicleta” não é verbo. Ela tenta com outro aluno: Diga um verbo! Ele arrisca: Prástico. A professora, outra vez, faz a correção: - Não é “prástico”, é “plástico”. E “plástico” não é verbo. A professora faz a sua última tentativa e escolhe um terceiro aluno: Fale um verbo qualquer! - Hospedar. A professora comemora: - Muito bem! Agora, forme uma frase com esse verbo. – Os pedar da bicicreta é de prástico.
Muito provavelmente, a piada chamará a atenção dos alunos e eles a acharão engraçada. Entretanto, o que produz este efeito de humor?
Marcos Bagno, em sua obra A língua de Eulália (Editora Contexto, 1997), discute situações parecidas com a explorada na piada acima, em que o simples fato de alguém falar diferente (com relação à fala culta) soa engraçado, servindo como motivo de piada. No livro (trata-se de uma novela sociolingüística), o lingüista constrói uma personagem, Eulália, que fala “semelhante” ao modo apresentado na piada (semelhante, não idêntico, pois as piadas baseiam-se em estereótipos, nunca em representações lingüísticas fiéis à realidade).
No entanto, Bagno mostra que, de engraçado, a fala de Eulália não tem nada. Utilizando como exemplo os “erros” encontrados na piada exposta acima, podemos fazer uma analogia com os exemplos dados pelo lingüista e descobrir que quem fala “bicicreta” e “prástico”, na verdade, segue uma tendência natural da língua: trocar o “l” pelo “r” em encontros consonantais. Para comprovar isto, o lingüista apresenta trechos da obra de Camões, José de Alencar e de Machado de Assis que contêm exemplos desse fenômeno (denominado rotacismo), considerado por muitos como coisa de caipira... A piada também serve para deixar claro aos alunos que há construções gramaticais diferentes, mas regulares, como marcar o plural apenas no determinante: “Os pedar da bicicreta é de prástico”.
Na obra citada, Bagno trabalha também este aspecto e explica que esse tipo de construção faz parte da gramática do português não-padrão, que, de acordo com o livro, é a língua falada pela maioria pobre e analfabeta do povo brasileiro, em oposição ao “português padrão”, a língua a que uma pequena parcela da população tem acesso.
O objetivo de um trabalho na escola que discuta a existência do português não-padrão é explicar os erros dos alunos, o que implica, nas palavras de Bagno, “que o português não-padrão deixe de ser visto como uma língua ‘errada’ falada por pessoas intelectualmente ‘inferiores’ e passe a ser encarado como aquilo que ele realmente é: uma língua bem organizada, coerente e funcional”.